Mochilas, cadernos e mais objetos de crianças mortas em escola viram memorial no Irã, mostra Caco Barcellos

  • 15/04/2026
(Foto: Reprodução)
Memorial para crianças mortas em ataque a escola no Irã Reprodução / Fantástico Um memorial improvisado em um parque de Teerã reúne mochilas, cadernos e objetos escolares de crianças mortas em um ataque que atingiu uma escola no primeiro dia de bombardeios no Irã. A cena foi registrada pelo repórter Caco Barcellos durante uma cobertura exclusiva no país. “Aqui a gente vê parte do material escolar delas, as mochilas, flores de homenagem. Tá virando um memorial”, relata o jornalista na reportagem exibida pelo Fantástico. O bombardeio à escola, na cidade de Minab, matou 170 crianças e provocou comoção dentro e fora do país. Imagens das vítimas passaram a ser exibidas em diferentes regiões do Irã nos dias seguintes ao ataque. LEIA TAMBÉM: VÍDEO mostra míssil dos EUA atingindo base ao lado de escola iraniana onde 175 pessoas morreram Um dia depois do ataque à escola de Minab, as imagens das crianças estavam nas ruas do país. Reprodução/TV Globo/Fantástico Segundo uma investigação do "New York Times", o míssil que atingiu o local foi lançado pelos Estados Unidos com base em uma informação de inteligência desatualizada. Autoridades acreditavam que o prédio ainda funcionava como base militar, mas o espaço havia sido transformado em escola cerca de dez anos antes. As imagens do resgate mostram equipes trabalhando entre os escombros enquanto familiares buscavam identificar os corpos. “As famílias tentavam fazer o reconhecimento no local para onde os mortos eram levados”, relata. Nos dias seguintes, objetos pessoais das vítimas passaram a ocupar espaços públicos como forma de homenagem. Mochilas, flores e materiais escolares foram organizados em memoriais que atraem moradores e visitantes. A exposição desses itens transformou parques e áreas abertas em locais de luto coletivo. Para além dos números da guerra, os objetos ajudam a dimensionar o impacto do conflito sobre a população civil — especialmente crianças. Segundo o governo iraniano, mais de 3 mil pessoas morreram desde o início dos bombardeios. VEJA A REPORTAGEM DE CACO BARCELLOS ABAIXO: Exclusivo: Caco Barcellos e Thiago Jock conseguem autorização para entrar no Irã LEIA TAMBÉM Fantástico entra no Irã e registra o impacto da guerra e das restrições civis no país Iranianos encheram as ruas na noite em que Trump ameaçou 'fim da civilização', mostra Caco Barcellos Mãe e filho escaparam por segundos de explosão em carro, mas foram arrastados por choque e estão traumatizados, diz pai Coração com a mão e míssil no ar: Caco Barcellos flagra outdoor com sinal de amor a foguete no Irã Fantástico no Irã A equipe do Fantástico entrou no Irã em meio à guerra e acompanhou de perto os efeitos dos bombardeios. Em uma comitiva oficial que visitava áreas atingidas, apenas três equipes estrangeiras foram autorizadas a circular pelo país: a TV Globo, uma russa e uma britânica. Desde o início do conflito, o acesso da imprensa internacional é restrito. A equipe cruzou cerca de 300 quilômetros pela Turquia, entre montanhas cobertas de neve, até chegar à fronteira com o Irã. No posto de controle, ainda em território turco, as gravações foram interrompidas pelas autoridades. Após duas horas de checagem de documentos e vistos de imprensa, a entrada foi liberada. Já dentro do Irã, a orientação era clara: não sair do carro e não fazer imagens durante o trajeto até Teerã. As estradas são monitoradas e equipamentos de filmagem podem ser confundidos com armamento. Equipe acompanhou funeral de um general da marinha iraniana Fantástico Funerais e mobilização nas ruas Na capital iraniana, a equipe acompanhou o funeral de um general da Marinha iraniana morto em um ataque no Estreito de Ormuz. Ele participava de uma reunião com outros executivos militares, quando dois mísseis atacaram o navio e o local onde ele estava reunido. O corpo foi levado por mais de 800 quilômetros até Teerã. Entre gritos, bandeiras e homenagens, a cerimônia reuniu uma multidão. Em meio ao cortejo, um jovem pediu para ser entrevistado e criticou duramente os Estados Unidos: “Esse governo americano é o pior de todos os tempos. Nosso povo está apoiando o nosso governo e os nossos militares", diz. Durante os discursos, autoridades e participantes também direcionaram críticas a Israel e aos EUA. A presença de forças de segurança era constante — em alguns momentos, agentes pediram para não serem filmados e chegaram a conferir o material gravado pela equipe. No meio da multidão, diferentes gerações dividiam espaço. Jovens universitárias, muitas com vestimentas mais coloridas, conviviam com mulheres que seguem tradições religiosas mais rígidas. Segundo relatos ouvidos pela equipe, o avanço educacional tem ampliado o protagonismo feminino, especialmente em mudanças ligadas a costumes e comportamento social. Versão oficial e disputa de narrativas Durante a cobertura no Irã, a equipe encontrou presença constante de imagens dos aiatolás em espaços públicos e eventos, reforçando a centralidade da liderança religiosa no país. Desde a Revolução de 1979, o Irã é uma República Islâmica em que o poder é fortemente concentrado nesse grupo, acima da Guarda Revolucionária e de instituições civis. O regime é marcado por controle social rígido, com denúncias recorrentes de repressão a protestos, censura à imprensa, prisões de ativistas e restrições a comportamentos sociais, especialmente os de mulheres. Além das tensões internas e críticas ao programa nuclear, o país também é apontado por apoiar grupos como o Hezbollah e o Hamas. Durante a estada da equipe, o acesso e a circulação foram limitados por barreiras de segurança e checkpoints da Guarda Revolucionária, dificultando inclusive a gravação de imagens. Tentativas de contato com opositores não tiveram sucesso. No início do ano, protestos contra a crise econômica foram fortemente reprimidos; autoridades iranianas afirmam que os atos se tornaram violentos por ação de infiltrados armados, que teriam atacado forças de segurança e causado mais de 200 mortes entre policiais, além de vítimas civis. Já organizações independentes contestam os números oficiais e indicam que o total de mortos pode ter sido maior. O governo iraniano nega a alegação americana e sustenta que o programa nuclear tem fins energéticos. O porta-voz do ministro das Relações Exteriores Ábbas Araghchi também rebateu críticas sobre direitos humanos: “Somos alvo de uma campanha de demonização há décadas. Não somos perfeitos, mas nenhum país é perfeito quando se trata de direitos humanos", diz. 🎧 Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/15/mochilas-cadernos-e-mais-objetos-de-criancas-mortas-em-escola-viram-memorial-no-ira-mostra-caco-barcellos.ghtml


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